Terça, 05 Julho 2022 09:06

132 ANOS DE MUITA RIQUEZA, DE MUITA DAMORIDA

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Damurida, o sabor que faz parte da nossa cultura...As pimentas são o principal tempero para essa receita, podendo ser utilizada diversas qualidades

Com Karina Mota

 

UMA DELÍCIA PICANTE, UM PRATO QUE BEM REPRESENTA A FORÇA INDÍGENA NO POVO DE RORAIMA, E AO COMPLETAR, AGORA, 132 ANOS, BV CELEBRA TAMBÉM A SUA RICA gastronomia, e em sua mais dileta comida, a damorida.

Com aniversário da Capital, 09 de Julho é também  a nossa gastronomia que se destaca - além da paçoca, feito no pilão, temos o típico prato da região: a Damurida, que é uma caldeirada de peixe, oriunda da tradição indígena, e no seu preparo leva diversos tipos de pimentas, mais verduras com um ou mais tipo de peixe.

A damorida está presente em várias etnias, que de uma forma festiva preparam essa receita, repassada de geração em geração.

MAIS DE 70% NA CAPITAL

Mesmo com a diversidade cultural que encontramos em Roraima, a Capital concentra a maior parte da população. Aqui, não é apenas a culinária indígena que pode ser encontrada, mas, uma miscigenação de várias culturas e sabores que tornam Boa Vista multicultural - tendo intervenção da culinária nordestina.

A agricultora Anete Rodrigues é da etnia Wapichana e chegou na região do P.A Nova Amazônia em 1995, quando essa região ainda era conhecida como “Fazenda Saab”. Por lá, criou os filhos e continuou com a tradição de fazer a Damurida em datas festivas, tornando o sabor ainda mais especial. A pimenta que ela utiliza é cultivada através do projeto Tay Tay, do Grupo Aurora do Campo, que conta com a ajuda da prefeitura.

“É um prato tradicional para a minha família. Faz parte da minha infância, adolescência e vida adulta. Sempre comi na mesa com os meus pais e aprendi com a minha mãe. Minhas três filhas sabem cozinhar e tenho certeza que vão passar para os filhos delas como uma tradição de família”, conta Anete.

 

E quem também prepara o prato é a agricultora Assélia Pio, que faz a Damurida com o toque especial do Murupi, líquido apurado da mandioca que deixa o sabor mais ácido no peixe.

“Aprendi a fazer a Damurida com a minha vó materna, Francisca, que utilizava o murupi para dar um sabor ácido que lembra o limão e também deixar o caldo mais escuro. Estou com 43 anos e até hoje, um dos pratos que mais lembram a minha cultura indígena dos macuxi, é a Damurida de peixe” disse